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26 de junho de 2022
Secretário Municipal de Planejamento Urbano e Historiador debatem sobre o Centro do Rio na Série “Quintas do Carmo” do Centro Cultural da PGE-RJ
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Secretário Municipal de Planejamento Urbano e Historiador debatem sobre o Centro do Rio na Série “Quintas do Carmo” do Centro Cultural da PGE-RJ

Falando no segundo encontro da série “Quintas do Carmo”, promovido pelo Centro Cultural da PGE-RJ, sobre o tema Centro do Rio: Passado, Presente e Futuro, na quinta-feira (23/6), o Secretário Municipal de Planejamento Urbano do Rio, Washington Fajardo, declarou que depois da Pandemia da Covid 19 o Centro do Rio não voltará a ser como antes. “Ninguém tem essa resposta definitiva, mas tudo leva a crer que dificilmente voltaremos a ser como antes”, afirmou, referindo-se ao grande esvaziamento econômico que o Centro do Rio sofreu com o fechamento de mais de 500 negócios.

O segundo evento da série de debates “Quintas do Carmo” reuniu além do Secretário Municipal de Planejamento, o professor e historiador Milton Teixeira, guia turístico em passeios pelo Centro do Rio e colunista da rádio Bandnews FM, onde conversa sobre a história da cidade com os ouvintes.

O secretário de Planejamento Urbano explicou que a pandemia provocou uma ruptura drástica no modelo econômico que preponderou no Centro do Rio por mais de 50 anos, convertendo o centro histórico num centro de negócios, com a concentração da força de trabalho e de escritórios na região. Impulsionadas pela pandemia, as empresas adotaram o trabalho remoto por alguns dias da semana, abalando, assim, todo o ecossistema de pequenos negócios de restaurantes a papelarias que atendiam esse modelo da concentração de trabalho na região central, que foi esfacelado pela pandemia, que provocou o isolamento social.

O secretário lembrou que a Prefeitura do Rio está enfrentando o problema com a implantação do projeto Reviver Centro, para estimular a população a voltar a morar na região. O Centro do Rio é a segunda região administrativa da cidade com a menor densidade demográfica, com apenas 41 mil pessoas residindo. Segundo o secretário Fajardo, a metade da solução do problema é o projeto para repovoar a região e, a outra metade é melhorar o espaço público, porque ele tem a função fundamental de mudar a percepção sobre o centro da cidade.

Para o professor, historiador e colunista da rádio Bandnews FM, Milton Teixeira, a esperança é que a abertura do Centro Cultural da PGE no Convento do Carmo se torne um grande motor da reabilitação da região da Praça XV, o mesmo papel que o Paço Imperial desempenhou no passado. Como guia turístico de passeios em torno dos prédios históricos da região, Milton Teixeira pede uma maior e melhor coordenação entre as igrejas e os centros culturais para que permaneçam abertos nos fins de semana e que possam atender à demanda por visitas dos turistas. Hoje, com a falta de sincronia no horário de disponibilidade da abertura desses prédios ao público retarda ainda mais a revitalização do centro da cidade.

De acordo com o professor Milton Teixeira, toda cidade sempre refletiu a sociedade que a criou e aqui no Rio de Janeiro não foi diferente, especialmente no que hoje conhecemos como a Praça XV. O início da urbanização desse espaço procurou atender a um modelo de sociedade que existia na Europa, baseado numa divisão de classes entre o clero, os nobres e os escravos.

Representando a igreja, as primeiras edificações no Largo do Carmo, são a capela de Nossa Senhora da Expectação e do Parto, que pertencia aos beneditinos e, em 1590 foi doada aos Carmelitas, que constroem o Convento do Carmo ao lado.

Depois, em 1743, foi construído o Paço, que depois transformou-se em Paço Real e depois em Palácio Imperial e, hoje, Paço Imperial. Foi palco do fico, que completou 200 anos este ano, e ali foi assinada a Lei Áurea, em 13 de maio de 1788. E dalí saiu a família imperial para o exílio no dia 17 de novembro. Do outro lado, foi construído pouco depois do Paço, o Arco do Teles para ser casa de aluguel de uma família de nobres, os Teles de Menezes, cujo Barão da Taquara, Francisco Pinto da Fonseca Teles, faleceu no local, em 1918. Assim estava representada a estrutura social da cidade no Largo do Carmo no período colonial.

Na visão de Milton Teixeira a região da Praça XV só vai sobreviver “se nós nos unirmos para que ela sobreviva e para que ela mude. Vamos mudar o centro, vamos transformá-lo numa área importante para todos nós”, conclamou o historiador na palestra no Convento do Carmo.

Ao final das palestras de Fajardo e Teixeira, o Procurador-Chefe do Centro de Estudos Jurídicos da PGE, Anderson Schreiber, responsável pelo Centro Cultural, agradeceu pelas presenças de dois especialistas em Centro do Rio de Janeiro, lembrando que a abordagem do tema sobre o centro foi completa e complementar entre os palestrantes e salientou a importância do diálogo de profissionais que, por diferentes caminhos, estão muito próximos das aspirações da população do Rio de Janeiro.

O Subprocurador-Geral do Estado, Rafael Rolim, encerrou o “Quintas do Carmo” destacando o orgulho da Procuradoria Geral do Estado por ter adotado e restaurado este patrimônio cultural e que está empreendendo esforços para devolvê-lo ao uso da sociedade.


Endereco Rua do Carmo, 27, Centro Rio de Janeiro
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